Dono de revendedora de automóveis relata dificuldade para repor estoque

Gustavo Ferreira

Gustavo Ferreira, proprietário da Veículos 4×4, comemora crescimento das vendas em meio à pandemia, mas enfrenta dificuldade para repor estoque

Apesar da retração registrada em diversos setores econômicos, a venda de automóveis mostrou recuperação. Este é o caso do empresário Gustavo Ferreira, proprietário da Veículos 4×4, localizada no Rio de Janeiro. “As vendas continuam muito boas, o mercado reagiu muito bem ao cenário da pandemia do ano passado, como os bancos não aumentaram as taxas de juros para financiamento, o mercado ficou bem aquecido”, comemora.

Entretanto, surgiu um problema: falta de modelos. “Há dificuldade para repor o estoque, porque as montadoras não têm carro zero km a pronta entrega, isso aumentou muito a procura por seminovos 2021, dificultando as revendas na compra dos seminovos”, explica o empresário. O relato vai ao encontro do levantamento mensal feito pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que mostrou haver queda de 21,9% na produção em relação a agosto de 2020, quando ainda não havia falta de componentes eletrônicos.

Este foi o pior resultado para um mês de agosto desde 2003. Segundo a Anfavea,  na virada do mês, havia apenas 76,4 mil unidades disponíveis, estoque suficiente para menos de duas semanas de vendas. O resultado são as filas de espera para vários modelos. A associação considera que este é o pior nível em mais de duas décadas. O motivo é a falta de chips. Estudo da consultoria BCG projeta uma redução entre 7 milhões e 9 milhões de veículos neste ano no mundo por este motivo.

O ritmo de vendas vem na contramão. De acordo com Ferreira, nos primeiros meses de 2020 ele enfrentou queda de cerca de 30% em função das incertezas causadas pela pandemia, mas o cenário começou a melhorar a partir de outubro, até chegar ao crescimento registrado no último mês. “Nesse último mês de agosto fomos surpreendidos, as vendas ultrapassaram o mês de agosto de 2020 em média 40%”, afirma. A expectativa é a recuperação do setor produtivo para suprir a demanda, embora não seja possível estimar data para a retomada das fábricas.

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